Saturday, January 21, 2012

Sugestão de Leitura / Reading Suggestion



Este livro veio-me parar às mãos através do Bookcrossing, uma comunidade de leitores online que partilha livros e segue os seus percursos através dos vários leitores por onde vão passando.
Não posso dizer que aprendi muitas coisas com este livro, mas gostei muito de o ler. Cá em casa também se recicla, também se reutiliza, evitamos o consumismo e o esbanjamento de energia e de água e também perdemos algum tempo a fazer escolhas quando compramos alguma coisa - menos produtos embalados, menos sacos de plástico, electrodomésticos energeticamente mais eficientes... Mas a verdade é que podíamos fazer muito mais... Mas também não foi por me lembrar disso que gostei do livro.
Do que realmente gostei, foi de todas as reflexões paralelas acerca do significado real que o consumo tem nas nossas vidas, de que forma consumir contribui - ou não - para as melhorar. O que é que nos leva a trabalhar cada vez mais, para podemos comprar cada vez mais coisas, sendo que uma considerável parte delas acabará por ir parar ao lixo passado pouco tempo? E de que forma abdicar de certas comodidades e passar a ter mais trabalho com algumas tarefas pode contribuir para a nossa felicidade, ao acarretar uma série de mudanças no nosso estilo de vida?
Embora à primeira vista este livro possa parecer um relato "levezinho" e divertido de mais um americano que quis ganhar protagonismo através de uma mudança radical de vida, na verdade trata-se de um testemunho honesto e bastante inspirador. Porque a verdadeira questão não é se cada um de nós, através da acção individual, pode realmente fazer alguma diferença no estado crescente de degradação do nosso planeta. A questão é se estamos dispostos a tentar e a agir de acordo com a nossa consciência, ou se preferimos viver alheados sem dedicar cinco minutos a pensar nas consequências dos nossos actos. Pelo que me toca, já fui buscar os lenços de pano que tinha guardados no fundo do armário e que andava há anos a pensar recuperar para substituír os de papel. Já nem me lembrava como são tão mais macios e confortáveis que os outros... E vou, certamente, apurar ainda mais os cuidados que já tinha no que toca à produção de lixo, especialmente no que se relaciona com as embalagens de plástico. Eis algumas das minhas resoluções para este ano:
* comprar ainda mais produtos frescos e menos embalados, e de preferência de origem local
* deixar de comprar farinha no supermercado e passar a comprá-la na moagem que existe na minha cidade. É feita a partir de cereal da região (menos energia gasta em transportes), acabada de moer (mais rica em nutrientes), vem em sacos de 5 ou 10 kg (menos lixo). Para além de tudo isto, cada vez que comprar um saco, sei que estarei a contribuir para a manutenção do emprego de uma série de pessoas, desde os agricultores que cultivaram o cereal e contribuem para manter algumas das paisagens nordestinas de que tanto gosto, até aos trabalhadores da moagem, que são bem simpáticos, tal como pude avaliar em primeira mão há uns anos atrás quando lá fui fazer uma visita com as minhas miúdas.
* comprar menos envelopes e reutilizar mais envelopes velhos, assim como outras embalagens. Já tenho feito envelopes com folhetos de supermercados e caixas de cereais viradas do avesso (funcionam mesmo bem, são resistentes e ficam uns pacotes mesmo bonitos)
* voltar a usar as minhas canetas de tinta permanente (tenho várias, e em tempos usava-as muito, mas a certa altura não sei porquê, mas provavelmente por preguiça, deixei de as usar
* passar a beber menos café - vem de muito longe, e o solúvel, para dizer a verdade, nunca me inspirou grande confiança (o que é que lhe farão para ficar tão solúvel? ). Para compensar, proponho-me beber mais chá - dos Açores, pois claro, ou então infusões do meu limonete e da minha erva cidreira - para dizer a verdade, até gosto mais de chá, mas bebo café mais vezes, lá está, por preguiça...

Estas são algumas das minhas resoluções. Gostava de conhecer as vossas.

* * *


This book came to my hands through Bookcrossing, an online reading community that tracks and shares books.
I can't say I learned a lot from it, but I enjoyed reading it immensely. In our family we already try to be very conscious about what we buy, what we waste, what we eat, etc. Although we could do a lot more... But reminding me about this was not the reason I enjoyed this book either.
What I really liked were all the parallel thoughts about the real meaning that consuming has in our lives. How does it contribute - in case it does - to improve them? What drives us to work more and more time, to be able to buy more things, most of which we'll sonner than later throw away? And what if, by giving up some of these comodities and becoming in charge of new tasks we find a new kind of fulfillement that comes with a change of lifestyle?
Although at first sight this may look like another flashy book of some obscure American writer looking to be advertised, in fact it is a very honest and inspiring account of someone who drastically changes his (and his family's) lifestyle so that it made less impact on the environment. Because the question is not whether one person, as an isolated individual, can make a difference. The real question is: are we willing to try and live according to our conscience? Or do we prefer to take the easy road and abstain from thinking about the consequences of our actions?
As for myself, I've just went to the bottom of my drawer and dug out the old cotton handkerchiefs I used when I was about my kid's age. I hardly remembered how much softer and confortable they are than the pieces of paper we've got so used to. And I'll certainly refine some habits, especially regarding reducing the amount of plastic garbage we produce whenever we go out shopping. Here are some of my new year green resolutions:
* I will buy even more fresh produce and less packaged / preserved food, from local origin as much as possible
* I'll start buying flour in our local small milling plant instead of the supermarket. Its made out of local cereal (less energy and fuel spent in transportation), freshly grinded (more rich in nutrients), comes in large 5 or 10 kg pacages (less packaging). Plus, each time I go there, I'll know I am helping local workers and farmers to keep their jobs (while maintaining some of the northeastern landscapes I love so much)
* I will buy less envelopes and reuse more. I've made some really nice ones using old supermarket leaflets and empty cereal boxes turned inside out (they are great for books because they are sturdy and they turn out really neat!)
* I will look for my fountain pens and start using them again - I have several which I really like and I used them a lot many years ago but somewhere along the way, they've gradually been replaced by ugly plastic ballpoints, I really don't know why, but I guess because it was easier...
* I will drink less coffee - it travels a long way and the instant one... well, to tell the truth, I've never quite trusted it (what is it that they do, to transform plain simple coffee powder into those puffed grains that are so soluble?). I will replace it with tea - from the Azores, of course, as well as some infusions from my home-grown herbs - to tell the truth, I prefer tea rather than coffee, but I end up drinking more coffee because... you guessed - its easier...

These are some of my resolutions. I'd love to hear about yours.

Thursday, January 12, 2012

Um grande pintor / A great painter


Ainda me parece difícil acreditar que o Vítor Matias já não está entre nós. Tive a grande sorte de o conhecer pessoalmente, pois era um grande amigo dos meus pais. Tenho a sorte de possuír alguns dos seus quadros, mas sinto-me ainda mais privilegiada por me ter sido dada a oportunidade de o ver pintar - parecia tudo tão incrivelmente fácil...
Viveu uma vida cheia, por vezes difícil (passou pela guerra em África), mas penso poder dizer que foi, globalmente, uma vida boa. E que vai deixar saudades a muitos. Morreu este Sábado, aos 73 anos.
Conhecia o nosso país a palmo, e isso nota-se na sua pintura. Podem ver mais trabalhos dele na sua página da internet, clicando aqui.

I still find it hard to believe that Vítor Matias is no longer among us. I was lucky enough to have known him personally, because he was a good friend of my parents. I am lucky enough to own some of his paintings but I am even more privileged to have been given the chance to watch him paint - it all seemed so incredibly easy...
He lived a rich, sometimes hard (he fought the war in Africa), but I dare say an overall good life and he will be missed by many. He died this Saturday, at the age of 73.
He knew our country well, from north to south and that shows in his work. Please visit his website so that you can see more of his great work here.

Friday, January 6, 2012

Cabo Verde / Cape Verde

Em Outubro recebi uma oferta de trabalho inesperada, que me obrigaria a viajar para Cabo Verde durante uma semana, no final do mês seguinte. Hesitei bastante, por um lado, porque não gosto de estar tanto tempo longe da minha família, e, por outro, por ter que viajar a tão curto prazo. Mas, finalmente, acabei por aceitar. E apesar de o trabalho ter sido um pouco stressante, com prazos quase impossíveis de cumprir e ameaças de greve da companhia aérea pelo meio, no final, lá consegui relaxar o suficiente para fazer uns rabiscos no caderno. Foram só três, e um ficou por terminar, mas foi o que bastou para me deixar contente.

Cabo Verde é um país maravilhoso, com um imenso e valioso património natural. Esperemos que o desenvolvimento turístico em curso não o deite a perder, tal como tem acontecido noutras regiões do planeta - a bacia Mediterrânica e a costa Sul do Algarve são apenas dois exemplos. Cada um de nós pode ajudar a evitar que isto aconteça, através de uma escolha criteriosa do tipo de alojamento nas nossas viagens. Ao preferirmos um turismo sustentável, por oposição ao turismo baseado nos resorts do tipo "tudo incluído", estaremos a contrariar a tendência destes últimos - normalmente pertença de grupos económicos estrangeiros - em manter todo o lucro no seu interior, ao invés de o partilhar com a comunidade local. Se quiserem saber mais sobre o turismo sustentável, então leiam o último capítulo desta reportagem da Ana Pedrosa e do António Sá, precisamente sobre uma das ilhas de Cabo Verde que se encontram neste momento na mira do turismo de massas, a ilha da Boavista.


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Last October I was offered an unexpected job that needed me to travel to Cape Verde for a week by the end of the following month. I pondered a lot because I don't like to be away from my family for so long and also because I had to go within such a short notice. But I finally accepted and although the work was a bit stressful because of tight deadlines and fligh company strike threats, among other things, in the end I managed to enjoy enough to make a few doodles in my sketchbook. Only three, and one was left unfinished, but they made me happy enough!


Cape Verde is a wonderful country, with an immense and valuable natural heritage. Let's hope the tourism development in course does not lead to its loss, as it happened in other places (namely the Mediterranean basin and the south coast of Portugal). Each one of us can help, by carefully selecting sustainable tourism offers instead of the "all-included-style" resort offers - usually belonging to foreign economic groups - that usually keep all the profit inside them instead of sharing it with the local communities.

Wednesday, December 28, 2011



Com um pouco de atraso relativamente ao Natal, mas ainda a tempo de vos desejar um bom 2012, aqui fica uma ilustração de um azevinho menos comum: o Ilex perado azorica, uma subespécie endémica do arquipélago dos Açores e uma das últimas ilustrações que fiz este ano.

I know I'm a bit late for Christmas wishes, but I guess I'm still on time to wish you all a great new year. This illustration is one of the last I did during 2011. It shows one endemic species of the Azores archipelago, the Azores Holly, Ilex perado azorica.

Tuesday, August 30, 2011

Faia-da-terra passo a passo / Firetree step by step

Estou muito mais satisfeita com esta ilustração do que com a anterior e entretanto, encontrei um papel muito melhor, que estou a utilizar para as duas últimas plantas que ainda me falta terminar. A faia-da-tera é um lindíssimo arbusto, ou árvore de pequenas dimensões, autóctone da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias). No Havai, onde foi introduzida, é considerada uma invasora. Os frutos são drupas comestíveis, usadas medicinalmente para combater o catarro, dadas as suas propriedades adstringentes.
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I am much happier with this illustration than I was with the previous one, and meanwhile I have found a much better paper, which I am using for the remaining two plants I still need to complete. The firetree is a lovely evergreen shrub or small tree native to Macaronesia (the Azores, Madeira and Canary islands) although it is considered a noxious weed in Hawaii, where it has been introduced. The fruits are edible berries used as astringent remedy for catarrh.

Monday, August 15, 2011

Uva-da-serra passo a passo / Azores blueberry step by step


Não fiquei completamente satisfeita com esta ilustração, principalmente por causa do papel que, apesar de ser de grande qualidade, tinha uma textura demasiadamente granulosa para este tipo de trabalho. Quando quero trabalhar com bastante detalhe, preciso de papéis quase lisos e não consegui encontrar o que queria. Mas vou continuar a procurar. Entretanto, aqui fica uma pequena sequência passo a passo, desta que é uma das mais bonitas plantas endémicas dos Açores.













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I'm not completely happy with this one, mainly because of the paper which, although of high quality, has a much rougher texture than I like for this kind of work. When I want detail, I need extremely smooth textures and I couldn't find what I wanted, but I will keep looking. Meanwhile, here is a small step by step sequence of one of the most beautiful endemic plants of the Azores islands.

Tuesday, August 9, 2011

Trabalho em curso / Work in Progress


A pouco e pouco, as ilustrações das plantas vão crescendo. Não estou a tomar nota do tempo gasto, mas esta já tem muitas horas de trabalho... Decidi começar pela espécie que tem ramos com mais folhas, para que o trabalho se torne menos cansativo, à medida que for passando para as restantes.
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Slowly but steadily, the plant illustrations are growing. I'm not taking count, but this one has many hours of work already... I decided to start with the most leafy species, so that as I progress into the others, work will hopefully become lighter.

Monday, August 1, 2011

Pleno Verão / In the height of summer

Decididamente, o Verão não é a minha estação do ano favorita. E de todos os meses de Verão, Agosto é talvez aquele de que menos gosto, devido ao calor em excesso, demasiada gente e demasiado movimento em quase todo o lado. Isto para não falar nas moscas, que, como dizia a minha mãe quando eu era miúda, se parecem multiplicar por geração espontânea...
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Summer is definitely not my favourite season. And of all the summer months, August is maybe the one I like the least: too hot, too many people and traffic almost everywhere. Not to mention the flies, which, as my mother used to say when I was little, seem to reproduce through abiogenesis...

Mas o Verão, e o mês de Agosto, também têm coisas boas. As manhãs, por exemplo. Apesar de não ser muito madrugadora, quando consigo (ou tenho que) levantar-me cedo, nesta época do ano, sabe-me mesmo bem abrir as janelas e deixar entrar o ar fresco, ouvir os primeiros ruídos da manhã e beber o meu café, enquanto penso nas tarefas do dia que aí vem. Felizmente, nos últimos dias, estas tarefas têm incluído uma quantidade considerável de ilustração, para diferentes trabalhos. Lá em baixo estão alguns dos desenhos preliminares que tenho feito e que se irão (assim o espero) transformar em ilustrações científicas detalhadas de espécies da flora açoreana. Depois hei-de cá voltar para mostrar os produtos acabados.


But summer has good things too. Take early mornings, for instance. Although I'm not an earlybird, whenever I manage (or am forced to) wake up really early, in this time of the year, it feels really good to open the windows and let the fresh, crisp air in together with the morning sounds, while I sip my morning coffee and think about the tasks of the day that is about to begin. Fortunately, in the last days my tasks have included a considerable amount of drawing and painting for two illustration projects. These are some of the preliminary drawings I've been doing of what will (hopefully) become fully detailed scientific illustrations of the Azorean flora. I'll be back to show them when they get ready.

Friday, April 29, 2011

Spring goodies

A estação das sementeiras e plantações já chegou e, nem de propósito, recebi, vindo do outro lado do Atlântico, um envelope cheio de coisas bonitas que me fazem ter vontade de passar ainda mais tempo a tratar do meu "jardim" (o seu estado selvagem exige realmente a utilização das aspas...). Gosto mesmo muito de plantas, jardins e hortas, mas infelizmente não herdei o jeito da minha mãe para estas coisas, por isso tenho que despender um esforço considerável para obter resultados que apenas roçam o satisfatório. Felizmente, há o blog da Sharon, e o seu Clube, onde encontro sempre motivos de inspiração.
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Seeding and planting season is here and I've just received a few goodies from overseas that make me want to spend even more time outside, tending my "garden" (it's current wild status calls for the quotation marks...). I love plants, gardens and vegetable gardens, but unfortunately I didn't get my mother's green thumb, so it takes me great effort to achieve hardly satisfactory results. Fortunately, there's Sharon's blog, and her Grimy Hands Girl's Club, where I always find loads of inspiration.

Entre outras coisas, o envelope continha um pacotinho de sementes de alface que vou semear este fim de semana, e impressões de algumas das bonitas ilustrações da Sharon, que também me estão a inspirar para tentar arranjar um bocadinho de tempo para fazer alguns desenhos no jardim.

Até à próxima, aproveitem bem a Primavera.
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The package she sent me included these lettuce seeds that I'll be putting to work this weekend and prints of some of Sharon's lovely illustrations that inspired me to try to find a bit of spare time for some garden sketching as well.

Until next time, make sure you enjoy Spring as it deserves.

Sunday, December 19, 2010

Manifestação de blogs pelo direito de educar sem escolarizar


Ao contrário do que acontece em Portugal, na Espanha, a opção de educar as crianças em regime de ensino doméstico (sem necessidade de frequentar uma instituição de ensino) não está regulamentada por lei. Como a opção da escolaridade obrigatória não é exigida pela Constituição, até agora, os muitos casos de famílias espanholas que ensinavam os seus filhos em casa que eram contestados em tribunal (normalmente por denúncia de alguém menos esclarecido), acabavam por ser arquivados, e as famílias continuavam a educar as crianças em casa. Recentemente, este estado de coisas parece estar a mudar, mas para pior, quando o Tribunal Constitucional espanhol declarou o homeschooling ilegal, na sequência de um contencioso que envolvia duas famílias de homeschoolers espanhóis em Málaga.

Por não concordar com esta decisão, decidi solidarizar-me com todas as famílias que, em Espanha, lutam pelo direito a educar em casa. Se quiserem aderir também, independentemente do local onde viverem, coloquem o símbolo de protesto nos vossos blogs e adicionem o vosso "link" aqui. Se quiserem podem também partilhar os vossos pensamentos sobre a decisão do tribunal espanhol.




Wednesday, December 1, 2010

E depois do gelo... a neve! / After the ice came the snow!

Depois do gelo, veio a neve. E que fazer, senão deixar-se contagiar pelo entusiasmo dos mais pequenos e correr lá para fora?
After the ice, came the snow. And what better thing to do, than join the kids enthusiasm and run outside?
Dar uma ajuda com o boneco de neve.
To help with the snowman.

Descobrir quem se levantou mais cedo do que nós (foi uma raposa...).
To find out who got up even earlier than we did (it was a red fox...).

Apreciar o silêncio tão característico dos dias de neve.
To appreciate the unique silence of a snowy day.

E terminar o dia com uma bela tarte de nozes (obrigada pela receita, A.!)...
And end the day with a a yummy walnut pie (thanks for the recipe, A.!)...

Saturday, November 27, 2010

Chegou o Gelo / Jack Frost is here

Depois de alguns dias seguidos com temperaturas negativas, hoje, os -4ºC conduziram, finalmente, ao congelamento da piscina biológica! Ficam as imagens, a fazerem-nos pensar na incrível resistência dos seres vivos. Ao olhar para a superfície gelada, é difícil imaginar as rãs a hibernar, enterradas sob a camada de algas e folhas que atapeta o fundo da zona das plantas. E vendo as folhas cobertas de cristais de gelo das plantas das margens, parece incrível como são capazes de se manterem bem vivas e de, daqui a apenas alguns meses, estarem de mais uma vez a produzir novos rebentos.

É assim o final do Outono em Trás-os-Montes: manhãs geladas, plantas que parecem feitas de cristal, o som da erva congelada a quebrar-se debaixo dos nossos pés. Hoje fiquei-me pelas fotografias, mas a M. quis registar este momento no seu novo caderno de campo.

After a few days in a row with temperatures below zero Centigrades, today's -4ºC finally led to the freezing of the pool! Here are the pictures, reminding us of the amazing resistance of animals and plants. Looking at the icy surface, it is hard to imagine the hibernating frogs down there, buried below the layer of algae and leafs that covers the bottom of the area of the pool assigned to the plants. And looking at the plants of the borders, covered in tiny ice crystals, it seems a miracle that they manage to remain alive and capable of growing new buds within just a few months.
This is how late fall looks like in Trás-os-Montes: frost-biting mornings, plants that look like they are made of crystal, the crunchy grass below our feet. Today I relied on photographs only, but my daughter M. wanted to register the moment in her new notebook.

Friday, October 29, 2010

Passeio de Outono / Autumn walk in the woods

No início do mês, fomos à procura do Outono no bosque, do outro lado do vale que fica em frente à nossa casa. Os sinais ainda não eram muitos, mas os suficientes para tirar algumas fotografias bonitas. Desenhos é que não houve, porque entretanto começou a chover, e o ânimo das crianças a esmorecer. Mas só até lhes acenarmos com a perspectiva de uns scones e um chocolate quente, no regresso a casa...
Entretanto, umas constipações impediram novos passeios, e hoje começou a chover, mas assim que o tempo se compuser, haverá mais, com certeza, incluindo a apanha das castanhas!
Ficam, então, algumas das fotografias.
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In the beginning of the month we went for a stroll in the woods, just across the valley that lies below our house. The signs of autumn were not many yet, but they were enough for a few pictures. No sketches, though, because meanwhile it started to rain. The children started to complain, but not for long, because I happened to mention that we could bake some scones and make hot chocolate as soon as we returned home...
Meanwhile, a few colds prevented us from more autumn walks and today it started to rain hard. But as soon as the weather becomes milder, we'll surely go back to our walks and this time we'll also go chestnut picking!
So here are some pictures from our walk.

Tuesday, August 3, 2010

Swimming and sketching


Naquele que é, seguramente, um dos mais bonitos rios do nosso país, este fim de semana houve banhos (para os menos friorentos) e desenhos. Felizmente, esta zona fica bem a montante da escandalosa barragem que já começou a destruír uma das jóias do nosso património. Pois é, estou a falar do Sabor.
Last weekend, there was time for swimming (only for the most brave) and sketching in one of the most beautiful rivers of our country. Fortunately, this area is located well upstream from the place where a horrible dam is already destroying one of our heritage jewels. For those who don't know it, I'm talking about river Sabor.

Monday, July 19, 2010

Aboborinhas (vulgo curgetes) aos molhos / So many zucchini

O ano passado o nosso vizinho deu-nos sementes e no início da Primavera semeámos algumas em vasinhos. Nasceram todas, e depois de termos transplantado umas 10 ou 12, tantas quantas cabiam no pedaço de terra que preparámos para elas, ainda nos sobraram várias, que acabámos por dar ao mesmo vizinho que nos tinha dado as sementes, pois a sua primeira sementeira, tinha sido estragada pelas chuvas fortes (as nossas não, porque estavam num estufim).

Last year, our neighbor gave us some seed and in early spring this year, we have sown some in small containers. They all germinated and after transplanting around a dozen - as many as we could fit into the land stretch we had prepared for them - we were still left with several seedlings. We ended up giving them to the same neighbor, as we learned that his first seeding attempts were ruined by the heavy rains we had this spring (ours did not because they were protected by a handmade greenhouse).

Entretanto, as plantas foram crescendo e as flores dando lugar às aboborinhas propriamente ditas. E são muitas! Todos os dias trazemos para casa duas ou três, quando não são mais. Fora as alfaces, as acelgas e o feijão-verde, que ficam para outro post (tenho o pressentimento que este já vai ser suficientemente longo). Claro que só conseguiríamos dar vazão a tanta verdura, se não comêssemos mais nada o dia todo (incluindo ao pequeno-almoço e ao lanche). Mas como este período de abundância é limitado no tempo, há que armazenar para o resto do ano. Felizmente, as aboborinhas são versáteis e fáceis de conservar. Cortadas em pedaços relativamente grandes, podem ser congeladas directamente, sem necessidade de branqueamento prévio (fervura rápida necessária a outros vegetais, para que possam ser depois congelados).

Meanwhile, the small plants grew and the bright orange flowers started being replaced by small zucchini. Lots of them! Every day we pick up two or three, sometimes more. Not to speak of the lettuce, kale and green beans, that I will leave to another post (I sense this one is already getting too long). Of course we could only use up so many veggies if we didn't eat anything else (which we do), including breakfast and snacks. But because this abundance is limited to the summer period around this part of the world, what we do is stock up for the rest of the year. Fortunately, zucchini are extremely versatile and easy to conserve. Cut in relatively big chunks, they can be frozen without the need of bleaching them in boiling water first, as required by some other vegetables.

Com estes pedaços, hei-de fazer deliciosas sopas no Outono e no Inverno. Congeladas em pedacinhos mais pequenos, posso refogá-las com outos legumes e usá-las para massas, como um delicioso talharim de curgetes e atum de que me estou agora a lembrar. E cortadas em rodelas finas, posso usá-las em ratatouille, ou em terrinas de curgetes gratinadas com cebola, tomate e queijo. Para já, com as curgetes frescas, fico-me pelas massas e outros pratos mais frescos, como este bolo de chocolate e aboborinha, delicioso quando comido simples, ou acompanhado de um pouco de gelado de nata. Se quiserem experimentar, a receita foi tirada daqui.

With these chunks, I'll be cooking delicious soups over autumn and winter. I also freeze them in smaller chunks and use them together with other veggies for pasta recipes (such as a delicious zucchini-tuna noodles recipe that's just coming to my mind). Cut in thin slices, I also use them for ratatouille or au gratin with onions, tomato and cheese. For now, I'm using the fresh from the garden in pasta and other dishes more suited to the hot weather we're going through, such as this chocolate zucchini bread that is delicious by itself, as well as taken together with a bit of ice cream. If you want to try it, this was the recipe I used.

Por outro lado, um pouco de doce de aboborinha, também não vai mal com a torrada da manhã. Foi uma experiência que fiz este ano, e não saiu nada mal.

On the other hand, a bit of zucchini jam is also welcome to make the morning toast more delicious. This was this year's experiment and it didn't turn out bad.

E como provavelmente já estão todos fartos de me ouvir falar em aboborinhas, vou ficar por aqui. Mas devo avisar que o mais provável, é que da próxima vez volte com algum outro legume ou vegetal. É da época... uma época de abundância, que é preciso aproveitar, até porque é quando os legumes, os frutos e outros vegetais são mais saborosos e nutritivos. Consumidos na época, mesmo que não tenhamos uma horta, é mais provável que consigamos produtos frescos, sem os conservantes necessários às grandes viagens dos produtos cultivados a milhares de quilómetros de distância e transportados por mar, terra e ar, até chegarem às nossas casas.

And as I'm guessing you're probably getting tired of hearing me talk about zucchini, I'll leave you now. But I have to warn you that the odds are that I'll be coming back with more veggies next time. It's just that time of the year..
A time of plenty that we should take profit of, since this is when fruits and veggies are more tasty and nutritious. And even if you don't have your own vegetable garden, you can make an effort to buy produce according to the season, for the chances are you are buying local, fresher products that didn't have to travel for miles and therefore didn't need all the processing to guarantee they can be conserved for longer periods before they reach your home.